Fatores hereditários não podem ser ignorados no combate ao câncer

20% das brasileiras que são diagnosticadas com o tumor herdaram predisposição; pacientes com histórico da doença na família devem ter rastreio precocemente

| CORREIO DO ESTADO / MARCOS PIERRY


Histórico familiar não pode ser ignorado no combate ao câncer de mama e ovário, segundo alerta de uma pesquisa recente a partir do número de casos em mulheres brasileiras - Freepik
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O histórico familiar é um dos importantes fatores de risco para o câncer de mama. Segundo um levantamento realizado no Brasil pelo Grupo Nature e que foi publicado na Scientific Reports, duas em cada dez brasileiras com câncer de mama possuem herança genética familiar. 

Atualmente, já são conhecidos alguns genes de mutação associados à doença, identificados por meio de testes genéticos.

“Sabe-se que mulheres com mutações no BRCA1 têm até 80% de chance de desenvolver câncer de mama e até 60% de desenvolver câncer de ovário', afirma a cirurgiã oncológica Priscila Morosini. BRCA1 e BRCA2 são dois genes diferentes, que afetam as chances de uma pessoa desenvolver câncer de mama e ovário.

“Mas existem outros genes que aumentam o risco de desenvolvimento do câncer de mama também, alguns são inclusive mais comuns no Sul do País, como a Sd de Li Fraumeni, mutação no gene TP53', diz a médica, que atua em um grande hospital de Curitiba (PR).

Isso significa que todas as mulheres que têm histórico de câncer familiar precisam realizar um teste para descobrir se possuem um gene de mutação? 

Não, afirma a dra. Priscila. Ela explica que o teste genético é indicado somente em alguns casos mais específicos. De qualquer forma, o acompanhamento médico deve, sim, ser iniciado mais precocemente.

QUANDO TESTAR?

“Normalmente, inicia-se dez anos antes da idade em que a familiar da paciente teve câncer de mama, ou a partir dos 40 anos, caso a familiar da paciente tenha tido câncer de mama com 50 anos ou mais', aponta.

A médica pondera que cada caso é individualizado, de acordo com a história familiar. 

Por isso, é orientado que essas mulheres procurem um especialista ainda jovens, para calcular o risco individual aproximado e definir quando o acompanhamento deverá ser realmente iniciado.

“É recomendada que a primeira consulta com cirurgião oncológico especialista em oncologia mamária ou mastologista seja a partir dos 20, 25 anos, para que seja realizado um exame físico, cálculo de risco individual e definição da melhor época para início do rastreio', destaca a cirurgiã oncológica.

MUTAÇÃO

O teste genético, que identifica genes de mutação associados à doença, tem recomendação somente para históricos de riscos mais elevados. 

“Ele é indicado para mulheres com história familiar de parente de primeiro grau antes dos 45 anos, duas ou mais familiares de primeiro grau com câncer de mama após 50 anos, história de familiar de primeiro grau com câncer de mama bilateral independentemente da idade', enumera a dra. Priscila.

E ainda “história de familiar de primeiro grau com diagnóstico de câncer de ovário em qualquer faixa etária, história de câncer de mama em homem na família em qualquer grau de parentesco, história pessoal de câncer de mama ou lesões de mama pré-malignas ou mutação genética de alto risco confirmada em familiares', revela a cirurgiã oncológica.

OUTROS FATORES

A médica frisa que, embora a herança genética seja um fator de risco relevante, apenas 10% dos tumores se desenvolvem por mutação genética familiar, e 90% dos diagnósticos ocorrem por diversos outros fatores. 

“As mulheres que não têm casos de câncer de mama na família devem começar a realizar a mamografia a partir dos 40 anos de idade', destaca.

CUIDADOS

Adotar uma alimentação equilibrada, praticar exercícios físicos, não fumar, manter um peso corporal adequado e evitar o consumo excessivo de bebidas alcoólicas também é fundamental para prevenir o câncer de mama. “Mudança de hábitos de vida em geral, com atitudes mais saudáveis, sempre terá impacto direto na prevenção do câncer', recomenda a especialista.

BRCA

Todas as pessoas têm genes BRCA1 e BRCA2. A sigla é a abreviatura do termo, em inglês, “breast cancer gene' (gene do câncer de mama). Apesar do que o nome pode sugerir, os genes BRCA não causam câncer de mama. 

É importante reforçar que esses genes normalmente desempenham um papel na prevenção do câncer de mama.

Eles ajudam a reparar quebras do DNA que podem levar ao câncer e ao crescimento descontrolado de tumores. Por essa razão, os genes BRCA são conhecidos como genes supressores do tumor.

No entanto, em algumas pessoas, esses genes supressores do tumor não funcionam corretamente. 

Quando um gene é alterado ou danificado, não realiza mais sua função de forma programada e podem, então, ocasionar o desenvolvimento do câncer. Essa alteração é o que se chama de mutação genética.



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