Cleo: 'Recebo críticas desde que nasci e aprendi: falem mal, mas falem de mim', diz atriz e cantora, que lança música de seu 1º álbum

| OGLOBO / MARIANA TEIXEIRA


Cleo lança primeira música de seu primeiro álbum Foto: Leo Fagherazzi / Divulgação
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“Bem-vindo ao meu tormento. Pode vir com tempo porque o meu veneno é lento', canta Cleo em seu novo single, “Tormento'. A música, com participação de Karol Conká e AZZY, está disponível a partir desta quarta-feira (01) em todas as plataformas digitais com videoclipe a partir de 13h e é a primeira do primeiro álbum da cantora — com previsão de lançamento para 2022 — a ser lançada. Cleo, que começou a carreira na música em 2017, já tem dois EPs, no entanto ela conta que esse álbum é uma “carta aberta' que expõe seus posicionamentos sobre a vida e a sociedade. 

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— Esse trabalho (o álbum) vem de um processo extenso de autoconhecimento e é o momento ápice desde que venho trabalhando para realizar meu sonho de cantar. Essa música fala sobre as várias facetas que a gente tem dentro de si e como viver plenamente quem você é assusta as pessoas — diz.

E Cleo sentiu isso na pele. Retratada na mídia, diversas vezes, como uma figura polêmica e sem papas na língua, ela conta que se sentiu cerceada em vários momentos. Algumas declarações da artista como ter exposto que já fez sexo a três ou quando, em 2017, resolveu relembrar uma entrevista sua aos 12 anos, na qual revelou o desejo de se tornar stripper repercutiram nas redes sociais e na imprensa gerando críticas ao seu comportamento.

— As pessoas não sabem o que fazer com você. Quando eu falo de sexo e comecei a me abrir e a expor o que eu pensava e vivia, tentaram me colocar em uma caixa de objetificação, como se eu só pensasse ou falasse nisso e não é o caso. Tentaram me limitar bastante — lamenta.

Para sair desse padrão limitante, Cleo optou por dar tempo ao tempo e continuou sendo ela mesma, apesar de confessar que até tentou mudar um pouco como se posicionava:

— Tentei levar as coisas para outro âmbito, mas não achava justo eu deixar de falar coisas que eu achava importante, que é a tomada de poder sobre a sua narrativa, não só sobre a vida sexual, mas em todos os setores da sua vida como mulher.

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Foi nessa busca por liberdade e por se tornar protagonista da própria vida que Cleo decidiu cantar. Mas antes precisou deixar os receios de lado.

— Chegou uma hora que a minha frustração ficou maior que o medo e não quero ser uma pessoa frustrada. As pessoas não aceitam você mudar de faixa, não aceitam que seus sonhos não são uma coisa só — explica Cleo, que complementa dizendo que tinha muito a perder.

Filha de Glória Pires e Fábio Jr, Cleo é uma pessoa pública desde a barriga da mãe e conta que precisou achar mecanismos para lidar com as pressões sociais. Além de ter uma família na mídia, ser mulher torna tudo mais cruel: corpo, falas e postura estão sendo observados e sendo alvo de comentários a todo tempo. Em 2019, Cleo engordou 20 quilos e acabou sofrendo ataques gordofóbicos na internet.

— Eu comecei a receber críticas quando eu nasci basicamente. Não sei se fica mais fácil, mas você vai aprendendo que “falem mal, mas falem de mim' porque você não vai deixar de fazer o que ama. As pessoas podem falar o que for, isso não vai parar quem você é, mas ao mesmo tempo dói — avalia.

Entre ferramentas para lidar com os comentários maldosos, a artista enumera que faz terapia, tem pessoas que considera uma rede de apoio e que usa a arte para ajudar a se expressar. Atuando ou cantando, é onde se sente segura, confessa.

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Na letra e clipe de “Tormento', roteirizado por ela e Fernando Moraes, Cleo quis expor a luta das mulheres e como ao longo da história isso foi desvalidado e desmerecido. A estética do vídeo remete a época medieval e faz referência à caça às bruxas:

— A queima das bruxas foi o ápice e a forma mais física e expressiva de calar mulheres. Fiz uma pesquisa extensa e quis trazer um clima de super-heroínas e feiticeiras.

Segundo a artista, a maior reflexão que a guiou pelo extenso trabalho do álbum foi como ela se viu engessada pela sociedade. Com medo de existir e de se sentir “inadequada dentro da sua pele'.

— Crescer em uma sociedade patriarcal onde o tempo inteiro você está sendo inadequada, onde as pessoas te olham como inadequada, porque você não está dentro de uma caixa específica e muito minuciosa onde a mulher deveria estar, traumatiza qualquer pessoa — conclui.

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